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O TEMPO
Por Ricardo Vianna Hoffmann
Publicado em 23/03/2026 03:40 • Atualizado 23/03/2026 16:57
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O TEMPO

Hoje, março de 2026.

No silêncio da madrugada, deixo o pensamento avançar no tempo e me pergunto como será em 3026. Sim, eu sei, não estarei mais aqui. Poucos, quase ninguém, se lembrará. Talvez reste algo em alguns familiares mais próximos, talvez as marcas, boas ou ruins, que deixei sobre a Terra. Mas, no fundo, isso pouco importa.

Penso nas curas que ainda virão, nas doenças que deixarão de existir, nas vidas que poderiam estar sendo prolongadas agora, se não fosse a escolha insistente e estúpida da humanidade por investir mais em armas do que em vida. É espantoso como sabemos salvar, mas insistimos em destruir.

E então me pergunto: e daqui a cem anos, haverá guerras?

Não. Sim. Não.

Hoje, agora, com base nesse tempo que vivo, acredito que sim, haverá guerras. Mas também acredito que a humanidade, mesmo com seus preconceitos, seguirá. Não em saltos, mas em passos curtos, como os de uma formiga que não deixa de avançar. Brindemos a isso!

Há um paradoxo em mim, o tempo em que vivo me dói e me encanta. Mas como não amar? É o único que tenho. O passado já se dissolveu; o futuro ainda não chegou, e tudo o que existe é este instante.

Apesar do caos, dos vazios, da dor, do sofrimento e desses sepulcros caiados que insistem em nos cercar, precisamos parar de ver apenas aquilo que nos é dado ver, pois há também beleza.

Talvez seja isso! a beleza da vida está em permitir-se apaixonar pelas pessoas, mesmo sabendo que, em algum momento, virá a decepção. Ainda assim, seguimos. Deixamos ir. Pensamos em outras coisas. Continuamos.

Amamos nossos filhos e aprendemos a deixá-los seguir seus próprios caminhos. Vivemos o nosso tempo, o agora. Lemos um livro. Olhamos com mais cuidado para o mundo. Jamais devemos invisibilizar o outro, pois ser diferente não é razão para não ser respeitado.

Evitemos sofrer antes da hora.

Porque, quando a dor vier, e ela virá, em algum tempo, doerá de qualquer forma.

E, no fim...

é o meu tempo.

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